Exossomos ou células mesenquimais: quais são as diferenças?

Atualmente, a medicina regenerativa reúne diferentes recursos que estudam formas de favorecer a reparação e a recuperação dos tecidos. Nesse contexto, dois termos aparecem com frequência: exossomos e células mesenquimais.

Apesar da relação entre eles, esses elementos não representam a mesma coisa. As células mesenquimais são células vivas, enquanto os exossomos correspondem a pequenas vesículas liberadas pelas células. Dessa forma, cada abordagem apresenta características, mecanismos e exigências específicas.

Compreender essa diferença evita interpretações equivocadas e ajuda a avaliar com mais clareza as possibilidades e os limites atuais da medicina regenerativa.

O que são células mesenquimais?

As células mesenquimais constituem uma população de células multipotentes estudada por sua capacidade de renovação, diferenciação e liberação de substâncias envolvidas na comunicação celular.

Elas podem ser obtidas de diferentes tecidos, como:

  • Medula óssea;
  • Tecido adiposo;
  • Cordão umbilical;
  • Placenta;
  • Polpa dentária.

No entanto, a origem interfere em suas características. Células obtidas da gordura, por exemplo, não devem ser consideradas automaticamente idênticas às provenientes da medula óssea ou do cordão umbilical.

Além disso, a comunidade científica recomenda cautela com o termo “células-tronco mesenquimais”. Nem toda célula classificada como mesenquimal apresenta comprovação suficiente de autorrenovação e diferenciação para receber o nome de célula-tronco.

Por isso, a International Society for Cell & Gene Therapy recomenda, em muitos contextos, a expressão “células estromais mesenquimais”. A utilização do termo “célula-tronco” exige demonstrações científicas mais rigorosas sobre suas propriedades.

Como as células mesenquimais atuam?

Inicialmente, acreditava-se que o principal papel das células mesenquimais estava em sua capacidade de se transformar em outros tipos celulares. Entretanto, as pesquisas passaram a demonstrar a relevância de sua ação parácrina.

Na comunicação parácrina, uma célula libera substâncias que influenciam o comportamento de células próximas. Assim, as células mesenquimais podem secretar proteínas, fatores de crescimento, citocinas e vesículas extracelulares.

Esses sinais participam de processos relacionados a:

  • Comunicação entre as células;
  • Modulação da resposta inflamatória;
  • Formação de novos vasos;
  • Remodelação da matriz extracelular;
  • Reparação dos tecidos.

Nesse sentido, parte dos efeitos estudados nas células mesenquimais pode estar associada às substâncias liberadas por elas, e não apenas à presença das próprias células no tecido.

O que são exossomos?

Os exossomos são pequenas vesículas extracelulares delimitadas por uma membrana lipídica. Além disso, as células liberam essas estruturas como parte de seus mecanismos de comunicação.

Em seu interior, os exossomos podem transportar diferentes moléculas, como:

  • Proteínas;
  • Lipídios;
  • RNA mensageiro;
  • MicroRNAs;
  • Moléculas sinalizadoras.

Ao alcançar outra célula, esse conteúdo pode participar da transmissão de sinais e influenciar determinadas respostas biológicas.

Entretanto, os exossomos não possuem núcleo, metabolismo próprio nem capacidade de se reproduzir. Portanto, eles não são células e não devem ser apresentados como uma forma de terapia celular.

Todo exossomo vem de uma célula mesenquimal?

Não. Diferentes tipos de células liberam vesículas extracelulares, incluindo células sanguíneas, células do sistema imunológico, fibroblastos e células mesenquimais.

Portanto, a expressão “exossomos derivados de células mesenquimais” identifica apenas uma das possíveis origens dessas vesículas.

Essa informação é importante porque a célula de origem influencia o conteúdo transportado. Além disso, condições de cultivo, método de coleta, processamento, armazenamento e isolamento também podem modificar as características do material final.

Consequentemente, produtos de origens diferentes não devem ser considerados equivalentes apenas porque recebem o nome de exossomos.

Exossomos e vesículas extracelulares são a mesma coisa?

Vesículas extracelulares representam um grupo amplo de partículas liberadas pelas células. Os exossomos fazem parte desse grupo, mas não correspondem a todas as vesículas extracelulares.

A identificação correta exige métodos específicos de separação e caracterização. Entretanto, nem sempre é possível comprovar com precisão a origem intracelular de cada vesícula presente em uma preparação.

Por isso, as diretrizes científicas recomendam o uso de termos como “vesículas extracelulares” ou “pequenas vesículas extracelulares” quando a origem exata não foi demonstrada. Essa padronização evita que qualquer preparação com partículas extracelulares receba, de maneira imprecisa, o nome de exossomos.

Qual é a relação entre exossomos e células mesenquimais?

A relação está principalmente na comunicação celular. As células mesenquimais liberam diferentes substâncias no ambiente ao seu redor, e os exossomos podem integrar esse conjunto.

De forma simplificada, a diferença pode ser compreendida assim:

  • A célula mesenquimal é uma estrutura viva;
  • O exossomo é uma vesícula liberada por uma célula;
  • A célula pode produzir e liberar exossomos;
  • O exossomo transporta moléculas, mas não se transforma em uma célula;
  • A utilização de células envolve uma terapia celular;
  • A utilização de exossomos constitui uma abordagem sem células vivas.

Portanto, aplicar exossomos derivados de células mesenquimais não equivale a aplicar as próprias células mesenquimais.

Quais são as principais diferenças?

Composição

As células mesenquimais apresentam membrana, citoplasma, núcleo e estruturas responsáveis por seu funcionamento. Em contrapartida, os exossomos são vesículas muito menores, formadas por uma membrana que envolve uma carga molecular.

Capacidade de reprodução

As células vivas podem se multiplicar quando encontram condições adequadas. Os exossomos não possuem capacidade de divisão ou reprodução.

Mecanismo de atuação

As células mesenquimais podem interagir com o ambiente, responder a estímulos e liberar diferentes substâncias. Os exossomos, por outro lado, transportam sinais produzidos pela célula de origem.

Processamento

A manipulação de células vivas exige controle rigoroso de identidade, viabilidade, pureza, esterilidade e estabilidade. Contudo, o processamento de vesículas extracelulares demanda técnicas próprias de separação, concentração, caracterização e armazenamento.

Regulamentação

Produtos baseados em células e preparações com vesículas extracelulares podem seguir classificações regulatórias diferentes. Entretanto a regularização depende da origem, do grau de manipulação, da finalidade, da apresentação e da forma de utilização.

Por que a origem do material faz diferença?

A origem não representa apenas uma informação complementar. Ademais, ela pode modificar a composição e o comportamento biológico tanto das células quanto das vesículas liberadas por elas.

Além da fonte, outros fatores precisam ser considerados:

  • Condições de obtenção;
  • Método de processamento;
  • Forma de isolamento;
  • Concentração;
  • Controle de contaminação;
  • Temperatura de armazenamento;
  • Tempo entre preparo e utilização;
  • Via de aplicação.

Dessa maneira, não basta verificar se um material recebeu o nome de “exossomo” ou “célula mesenquimal”. A análise também deve considerar como ele foi obtido, caracterizado e controlado.

Como esses recursos são estudados na dermatologia?

Atualmente, na dermatologia, pesquisadores investigam o potencial das células mesenquimais e de seus derivados em áreas como cicatrização de feridas, envelhecimento cutâneo, alterações de pigmentação e doenças inflamatórias.

Dessa forma, conhecer a atuação da medicina regenerativa na estética e na qualidade da pele ajuda a situar esses recursos em um campo mais amplo, que reúne diferentes estratégias voltadas à recuperação dos tecidos.

Em relação aos exossomos, alguns estudos clínicos iniciais apontam possíveis mudanças em aspectos como textura, elasticidade, hidratação, pigmentação e aparência das cicatrizes. Entretanto, a literatura ainda apresenta limitações importantes.

Entre elas, destacam-se:

  • o pequeno número de participantes;
  • o curto período de acompanhamento;
  • as diferenças entre as fontes das vesículas;
  • as variações nos métodos de isolamento;
  • os distintos protocolos de aplicação;
  • a associação com laser ou microagulhamento;
  • a ausência de padronização das doses;
  • os diferentes critérios de avaliação dos resultados.

Por isso, os dados obtidos com uma preparação específica não permitem generalizações sobre todos os produtos apresentados como exossomos.

Além disso, estudos pré-clínicos com células ou animais ajudam a esclarecer mecanismos biológicos, mas não comprovam, isoladamente, a segurança e a eficácia de um tratamento em seres humanos.

Exossomos são mais seguros do que células mesenquimais?

Não é possível fazer essa afirmação de maneira geral.

Como os exossomos não são células vivas e não se multiplicam, eles evitam algumas questões diretamente associadas à administração celular. No entanto, isso não significa ausência de riscos.

A segurança depende de fatores como:

  • Origem do material;
  • Pureza da preparação;
  • Controle microbiológico;
  • Presença de contaminantes;
  • Conteúdo transportado pelas vesículas;
  • Dose;
  • Forma de aplicação;
  • Condições clínicas do paciente.

Além disso, a falta de padronização dificulta a comparação entre diferentes estudos e produtos. Por isso, a ausência de células vivas não deve ser interpretada como garantia automática de segurança.

Células mesenquimais já possuem indicação estética estabelecida?

O uso de células mesenquimais cultivadas para finalidades estéticas exige cautela. Promessas de resultados precisam considerar o nível de evidência científica, a procedência do material e a regularização aplicável.

No Brasil, os tratamentos com células-tronco que apresentam eficácia e segurança reconhecidas concentram-se principalmente no uso de células progenitoras hematopoiéticas em transplantes destinados ao tratamento de determinadas doenças do sangue.

Além disso, produtos desenvolvidos a partir de células humanas submetidas a processos de fabricação podem se enquadrar na categoria de produtos de terapia avançada. Nesses casos, a pesquisa clínica, a fabricação, o registro e a utilização precisam cumprir normas específicas.

Desse modo, a Anvisa apresenta orientações sobre o uso de produtos à base de células-tronco cultivadas e chama a atenção para os riscos relacionados a produtos sem aprovação e a promessas estéticas sem respaldo científico.

Assim, os tratamentos estéticos com células mesenquimais cultivadas diferem tanto dos procedimentos dermatológicos de uso rotineiro quanto dos transplantes de células hematopoiéticas já consolidados na medicina.

Como avaliar uma proposta de tratamento?

Antes de qualquer procedimento, algumas informações precisam estar claras:

  • Qual é a origem do material?
  • O tratamento utiliza células vivas ou vesículas extracelulares?
  • Como o material foi obtido e processado?
  • Existem controles de esterilidade e qualidade?
  • Qual é a forma de aplicação?
  • Quais evidências sustentam a indicação?
  • O produto possui a regularização necessária?
  • Quais são os possíveis riscos?
  • Existem alternativas com maior nível de evidência?

Termos científicos não devem substituir explicações objetivas. Acima de tudo, o paciente precisa compreender exatamente qual recurso o profissional utilizará e quais benefícios pode esperar, de forma realista.

Perguntas frequentes

Exossomos são células-tronco?

Não. Exossomos são vesículas extracelulares liberadas por células. Eles não possuem núcleo, não se reproduzem e não se transformam em outros tipos celulares.

Exossomos derivados de células mesenquimais contêm essas células?

Não necessariamente. Uma preparação devidamente isolada contém vesículas liberadas pelas células, e não as próprias células mesenquimais. Contudo, a composição depende do método de obtenção e do controle de qualidade.

Células mesenquimais e células-tronco são sinônimos?

Nem sempre. A comunidade científica recomenda o termo “células estromais mesenquimais” quando não existe comprovação suficiente das propriedades de célula-tronco. Portanto, a nomenclatura depende das características demonstradas pelo material.

Todo produto chamado de exossomo possui a mesma composição?

Não. A origem celular, o processamento, a concentração, o armazenamento e a caracterização influenciam a composição. Por isso, resultados obtidos com uma preparação não podem ser transferidos automaticamente para outra.

Exossomos podem ser obtidos do próprio paciente?

Algumas técnicas permitem o isolamento de vesículas extracelulares a partir de materiais biológicos do próprio paciente. Entretanto, a origem autóloga não elimina a necessidade de controle, processamento adequado, indicação médica e cumprimento das normas aplicáveis

Exossomos são considerados uma terapia celular?

Não. Como não possuem células vivas, os exossomos são estudados como uma abordagem livre de células. Ainda assim, sua classificação regulatória depende das características e da finalidade de cada produto.

Qual abordagem é melhor?

Não existe uma resposta universal. Células mesenquimais e exossomos são recursos diferentes, com níveis de evidência, riscos e exigências próprias. A escolha não deve se basear apenas no nome do tratamento, mas na indicação, na procedência e na qualidade científica dos dados disponíveis.

Conclusão

Exossomos e células mesenquimais pertencem ao campo da medicina regenerativa, mas não representam a mesma abordagem. As células mesenquimais são estruturas vivas capazes de responder ao ambiente e liberar diferentes substâncias. Em contrapartida, as células produzem os exossomos, pequenas vesículas que transportam parte desses sinais.

Essa distinção também interfere na obtenção, no processamento, na segurança, na regulamentação e na interpretação dos estudos.

Por isso, a presença de termos como “exossomos”, “células mesenquimais” ou “células-tronco” não comprova, isoladamente, a qualidade ou a eficácia de um tratamento. Portanto, a indicação responsável depende da origem do material, de sua caracterização, das evidências científicas e da avaliação médica individualizada.

Conte com médicos especialistas e com as mais modernas tecnologias.

Encontre o tratamento ideal para você!